terça-feira, 29 de novembro de 2011

Não aprendi a dizer amém.. então questiono!

Em torno do assassinato...

Dizem que ele era o vereador mais atuante da câmara de Xapecó. Pelo pouco que ouvi em debates nas rádios, era mesmo. Pelo menos falava, criticava, denunciava. E pra que serve um vereador? Não, não é pra ligar luz elétrica na sua rua, nem pra te favorecer com um emprego qualquer ou autorizar com votos falcatruas do poder público. Não. Um vereador é um político, e este deve ser coerente com seu discurso. E qual é o discurso político? Acho que nem precisa dizer, não é? Notícias que me chegam aos ouvidos por todos os lados dizem que a polícia trabalha com a hipótese de homicídio. Nada de ‘matar para roubar’ ou esse tipo de crime ‘impessoal’.  Rumores dão conta de que Marcelino Chiarello havia denunciado esquemas de corrupção na cidade, e que tinha mais ainda pra denunciar. Coisa da grossa! E é assim que quem trabalha como um ‘político de verdade’ paga? Bela consideração. Eis a democracia! Falácia do cacete! Xapecó tem um histórico de crimes políticos. Quase todos eles abafados, nublados, além de contar com a pouca memória histórica da nossa população. A também professora Mônica Hass (Chiarello era professor, além de vereador), quando escreveu seu livro ‘O linchamento que muitos querem esquecer’, até onde sei, sofreu perseguições e ameaças, tendo que se retirar por um período da cidade. Talvez alguém saiba e/ou lembre deste caso, onde forasteiros foram linchados por moradores daqui na época, depois seus corpos incendiados em pela rua, incentivados por forças obscuras: famílias tradicionais, Igreja, autoridades, etc. – facilitadores do fato macabro (isso, pelo menos, é o que consta na pesquisa-livro ‘O linchamento’). Existe também um registro histórico em forma de poesia deste fato, por um poeta da época. Então, fontes, não faltam. Mas, essa é uma história ‘maldita’, que para alguns, suja o nome da cidade – e sujou, e suja! Agora um novo fato acontece. Motivações políticas? Não sei (ainda!), mas tudo leva a crer que sim. Mas, e os culpados, serão pegos? Virão à tona? Quem são eles? Aqui já foi o império do coronelismo (e ainda não é?). Índios, caboclos e outros ‘indesejáveis’ já foram caçados e mortos por aqui num passado não tão distante. E a justiça, dizem que ela tarda, mas não falha. Será? Quero só ver! Só espero que a polícia faça o seu trabalho coerente com o discurso, assim como políticos deveriam fazer. Marcelino demonstrou que fazia ao denunciar. Vamos esperar pra ver, mas nunca de braços cruzados...


Rezemos...


















Enquanto as pessoas passam hipnotizadas com as luzes de natal, vitrines das lojas, shopping, com a mirabolante programação da fatídica televisão, um homem é assassinado por denúncias de corrupção. Não muito longe daqui. ‘Logo ali!’. Mas não tem problema, temos o sertanejo universitário para a ‘felicidade’ geral. Somos livres e alegres. Temos nossas tatuagens, piercing’s, nossas calças rasgadas, nossa arrogância displicente, nossa rebeldia fabricada - estereotipados que somos. Nosso ar de liberdade - econômica. Viva! Viva a democracia! Essa festa! Enquanto adultos doutrinam suas crianças como se fossem cães no adestramento e dão a direção aos jovens, deixando suas frustrações para eles como herança: ‘palavras da salvação! Amém!’. Crescer, ser ‘alguém na vida’, casar, ter filhos, casa, carro do ano na garagem e morrer. Eis a receita dada, pronta, sacramentada, da ‘felicidade’. Eis a tradição, a cultura, os valores. Eis a moral! E a miséria continua. Não só a miséria da falta de alimentação (essa, aqui no Sul não é grande problema), mas a miséria do intelecto, da razão, do conhecimento, da memória. A miséria humana. Aqui é o ‘Velho Oeste’ dos mocinhos e bandidos, índios, caboclos, elites familiares. Alguns se deram bem acima de outros. E esses ‘outros’ se fu... (piiiiiiii): ‘Olha o linguajar Herman!’. Ah é, estava esquecendo... E viva a democracia! Anda perigoso ser justo. Anda perigoso ser ‘democrático’. Anda perigoso ser coerente. Nos querem de joelhos. Nos querem mesquinhos e medíocres, aceitando tudo de boca fechada. Nos querem semi-mortos, consumidores, pagadores de impostos, ‘bons filhos’ e adultos reprodutores desse jogo. Nos querem como brinquedinhos num parque de diversões. ‘Nada de denúncias e dignidade, viu senhor?!’. Não mexa com a ‘alta estirpe’! Reis e coronéis abraçam-se nessa festa, dançando a mesma dança, com suas máscaras, pois estamos numa festa de máscaras, fantasiosos, crentes na chegada do messias, aquele que vai nos dar o paraíso, já que aqui, o sofrimento prevalece, e é sofrendo que se chega ao paraíso: ‘palavras da salvação!’ – opa! Acho que já escrevi isso por aqui. Mas não tem problema, a memória histórica é curta mesmo. Amanhã é outro dia e haverá outros atrativos para nos entreter, nos anestesiar, nos hipnotizar. Nos fazer vibrar com a promessa de um bom fim. De mãos dadas e ajoelhados, rezemos!


sexta-feira, 25 de novembro de 2011

Extraordinárias!

Shofia Loren, Penélope Cruz, Charlize Theron, Natasha Kinski... Essas são algumas das mulheres mais belas e extraordinárias da história do cinema em minha opinião. Além de belas, são grandes ou boas atrizes, independente da produção e das suas belezas. Sou fã dessas mulheres e não é nenhum segredo da minha admiração por elas. E que mal tem nisso? O mal (se é que isso existe), a malícia ou a distorção do fato, está na cabeça das pessoas. Justamente dos moralistas, aqueles que têm certo toque de conservadorismo no comportamento e na fala. Através de discursos medíocres, puritanos, deterministas, vivem a criticar alguma sinceridade que os mais ‘livres’ expressam. Assim também, se defendem e se escondem atrás das suas máscaras. São o dá pra chamar de hipócritas e moralistas. Esse tipo de gente enche o saco e atravanca possíveis mudanças, a criatividade e a poética das coisas. São formais e mecânicos. São maniqueístas e burocratas. Santiotas chatos e covardes! E o mundo está repleto de gente assim. Já cansei de ouvir pirraças entre casais que saem à noite pra se divertir ou sei lá o que, e acabam discutindo ou brigando, até com certa violência, porque um ou outro comentou sobre alguém que acha interessante, elegante ou bonito, criativo, ou algo assim. Aí vem aquela discussão vulgar, mesquinha, de domínio, de cobrança ou punição. Espírito de um moralismo social que poda e empobrece as relações humanas. É o ‘amor’ como território, forma de propriedade privada dos sentimentos e anseios. Nessa relação de domínio, a censura ao olhar, ao gosto e a própria necessidade de se expressar, é evidente. Como uma forma de controle social, cultural e religioso, as relações ditas amorosas, muitas vezes resumem-se nisso. E a vida se dilui nessa mediocridade de insensibilidades, diversão e prazer, prevalecendo o autoritarismo e o sofrimento. Em muitos filmes, desenhos, músicas e principalmente, na maioria das telenovelas, essa moral, essa cultura, essas relações diminutas, são reproduzidas e inculcadas por parte significativa da população que, acomodada e doutrinada para tal, acaba por aceitar isso de uma forma ‘inconsciente’ e naturalizada. A diferença nesse meu ‘gosto’ por essas mulheres que citei logo no início do texto, está num dito que uso muito: “Existem as pessoas elegantes, interessantes e as pessoas enfeitadas”, assim como “existem as pessoas ordinárias e extraordinárias”. E você, a qual desses grupos pertence?


*Minha contribuição para a saúde do mundo virtual:


Shofia Loren


Penélope Cruz



Charlize Theron


Natasha Kinski


A raça dos resistentes...

Acho que quando Fidel morrer eu vou chorar. Foi o que eu disse em sala de aula para alguns alunos quando discutíamos a Revolução cubana. Não que eu seja seguidor do líder comunista da Ilha de Cuba. Talvez, pelo romantismo acima da sua figura. Bem ou mal, gostem ou não, Fidel é a maior representação viva de uma luta, de uma revolução em sua prática. Numa trajetória fantástica, Fidel deixou seguidores que o idolatram, admiradores, assim como, pessoas que o odeiam. Um homem sem meias palavras. Uma figura ímpar na história mundial. Foram feitos filmes e livros sobre ele e o contexto em que este ex-guerrilheiro esteve envolvido. Fidel Castro, hoje tem 85 anos de idade e passa por problemas de saúde. Continua em Cuba, não mais na chefia do Estado, mas ainda com muita voz ativa. Outra grande personalidade (também ‘marxista’), só que mais teórico e pesquisador, é o historiador inglês-egípcio Eric Hobsbawm. Hobsbawm, lúcido e ativo, é considerado o ‘grande’ historiador vivo, nos seus 94 anos de idade. Passou pelas duas Guerras Mundiais, Guerra Fria, várias revoluções, sempre produzindo, pesquisando, analisando, escrevendo. Certamente, senão o maior, um dos maiores intelectuais da história ainda vivo. O poeta brasileiro Manoel de Barros também entra no rol dos resistentes. Vive no pantanal e tem magníficos livros de poesia publicados. Um dos maiores poetas brasileiros de todos os tempos, produzindo no alto dos seus 95 anos de idade. Dono de uma linguagem própria, divertida, sincera e livre das influências européias, Manoel de Barros nos saúda com sua grande obra poética. Mas o que me leva falar dessas três personalidades, desses três cepos da história da humanidade? Talvez seja o tempo. Sim, é o tempo. Ambos resistem e estão dentro da estirpe dos resistentes, em vários sentidos. Ambos lutaram, da sua forma (e ainda lutam), por algo que acreditam, cientes dos seus trabalhos, das suas trajetórias, talvez, das suas importâncias dentro da história e do conhecimento humano. Não, isso não é idealismo. É humanidade. De minha parte, não é idolatria. É memória e consideração. Figuras como estas, não nascem todo dia – é bom que se diga. E eu, como homem da história, não posso deixar morrer no meu quadro de admirações, na porcentagem de memória que ainda tenho, esses três homens que movem o mundo através das suas produções, das suas existências. Talvez isso não interesse pra maioria, mas aí está. Meu registro em forma crônica desse tempo que ainda não acabou.

Escrito em 11/11/11.


Essa vida... um filme! (colorido.. em preto e branco.. e às vezes, sem cor alguma)

Sou um viciado. Em algumas coisas. E quem não é? E entre um desses meus vícios, está o cinema. Ta certo que já fui mais ‘usuário’ dessa ‘droga’. Hoje, sem muito tempo, ainda consigo ver algum bom filme durante a semana e às vezes no fim de semana. Entre trabalhos, leituras e ensaios com a banda, me sobra pouco pro cinema. Não que seja a última opção. Na verdade, nem é caso de opção. Em se tratando de cinema, sempre tive mais apego e afinidade com os vilões. Na verdade, com os ‘anti-heróis’. Os heróis, geralmente, são muito ideológicos, mecânicos, moralistas, e eu não gosto nada disso. Tem um filme de que gosto muito que se chama “Anti-herói americano”. Essa película explica um pouco do que estou falando. Nos filmes do velho oeste que, desde criança, via com meu pai, sempre ficava ao lado dos índios e nunca dos mocinhos. Já adolescente, quando metido a punk, caiu em minhas mãos um filme que iria reforçara ainda mais esse meu gosto pelo ‘lado B’ das coisas. Trata-se do filme “Laranja Mecânica”, do diretor Stanley Kubrick (um dos meus preferidos da língua inglesa), adaptação do livro de Anthony Burgges. Neste filme, o personagem central, Alex Delarge, um caricato anti-herói, é interpretado pelo ator Malcolm McDowell, numa das maiores interpretações de toda a história do cinema. A força do personagem foi tanta que acabou por ofuscar um pouco (ou muito) outras atuações de McDowell. Só depois de muitos anos pude ver um personagem à altura de Alex, o Coringa, do filme “Batmam: O cavaleiro das trevas”, do diretor Christopher Nolan, também uma adaptação, desta vez, de um clássico das histórias em quadrinho de Alan Moore. Interpretado pelo ator Heath Ledger (um dos grandes do nosso tempo), o Coringa desconstrói a moral da sociedade capitalista com sarcasmo e crítica social. Outro personagem que, provavelmente, acabaria ofuscando um pouco outros futuros personagens de Ledger (se ele ainda estivesse vivo). Ledger morreu cedo, no auge da sua carreira, deixando, com força, sua marca no cinema, devido a sua ‘encarnação’ no Coringa. Neste caso, tanto Alex quanto o Coringa, dois anti-heróis, pra muitos (os que não compreendem de personagens nem de literatura), são meros criminosos, mas para os mais ‘entendidos’, acabam sendo como heróis contra a mediocridade e moralismo da sociedade. Desconcertantes dessa ordem que oprime e forja as pessoas, tornando-as nada mais do que um número. E eu, como um bom (ou mau?) cronista, encerro por hoje, fazendo das palavras de um anti-herói entre os pensadores chamado Nietzsche, as minhas: “Antes um sátiro do que um santo".
























Malcom McDowell




Alex Delarge


Heath Ledger

Coringa











domingo, 20 de novembro de 2011

Samanta com rum & eu

















Ontem choveu torto no meu apê que eu me molhei todo. Abracei a garrafa de rum e dormi molhado, por dentro e por fora. “Ah! Dane-se!”, pensei. Já estava duro de trago mesmo. Me joguei na cama, puxei o cobertor peludo que ganhei da minha avó de herança e apaguei. Acordei no meio da manhã com um arrepio na espinha. Meus dedos estavam churingados como bochecha de velha e meu estômago ardia. A garrafa de rum ainda tinha um gole, um bom gole. Minha boca seca. Acabei virando a garrafa. O céu da boca, um céu aberto. A vermelhidão do crepúsculo num fim de tarde primaveril onde revoadas de pássaros passam formando uma paisagem para os poetas mais românticos escreverem algum verso meloso. E o rum queimando tudo: “Fogo neles rum!”. Levanto da cama e meus sapatos estão fedendo. Eu não lembro de ter urinado nas calças. Eu não lembro de ter guardado algum naco de carne dentro dos meus sapatos. Só lembro de ontem a noite, antes da minha chegada em casa. Pulei o muro e subi as escadas acompanhado. Quinto e último andar desse miserável prédio. Mas antes disso, de tudo isso, do banho de chuva, do rum, da cama, eu estava num bar com Samanta. Nome de travesti. Só nome. Samanta, antes é um anjo do apocalipse que veio pra me buscar. Olhos oceânicos no meio de toda essa escuridão sem fim. Me jogou na cara uns versos meio evasivos, meio adolescentes, porém, com uma força vinda de algum lugar por onde Rimbaud decerto um dia descansou. Samanta me parecia ingênua, indefesa quando a vi. Mas logo, logo, se mostrou uma jovem corrosiva, dessas que só ébrios como eu ousam dar as costas. ‘Ei Tango, você é um imbecil! Um doce e raro imbecil! Me diga uma coisa. O que te leva escrever praquela revista horrorosa?’. ‘O dinheiro baby! Grana! Compreendes muchacha?!’.  ‘Se você pagar mais um drinque, acho que passo a compreender’. ‘Ókei baby!’. ‘Ei seu Artidor, traz mais um trago pra minha amiga aqui...’. ‘Amiga? Mal te conheço!’. ‘Tá bem... Pra minha...’. Depois disso, lembro de algo como um beijo doce que arrancou um bife dos meus lábios e dos vários goles de rum que dividimos enquanto a inveja dos deuses, como raios, despencavam do céu. Veio a chuva e os corpos molhados em movimentos ritmados e, às vezes, sem ritmo algum. Depois de um cochilo, como uma criança desamparada, Samanta me abraçou com força por alguns segundos. Depois desapareceu escadaria abaixo. Eu fiquei imóvel feito um animal empalhado, ouvindo os últimos ruídos que se foram com os passos de Samanta. E foi isso...



Eu animal ‘colonista’ social

Eu sou um animal. Um animal pop. Além de dar aulas de história, filosofia, linguagem, produção textual, redação e literatura, escrevo maldições literárias (ou não) num jornal, num blog; componho e toco guitarra numa banda de rock, tiro e queimo fotografias, me arrisco em alguns movimentos de kung-fu, como e bebo bastante, entre outras funções. Também já fui capa de revista (Globo Rural). Já me confundiram com um colunista social, mas nunca com um astro do rock xapecoense ou um escritor xapecoense dos bons - mas aqui tem disso? Bem, não vem ao caso! Sou um animal, assim como você, e estou montando uma nova revista na cidade onde serei o ‘colonista social’. Sim, uma revista aqui da roça, lugar onde moro e tenho orgulho (por acaso alguém já veio aqui em casa pra duvidar?). Pras minhas fotos pousarão muitas personagens, principalmente as do mundo animal. Bois, boys, vacas, galinhas, zebrinhas, veados, garças, asnos, antas, jacarés, morcegos, cobras, baratas, tigres, gatas, cachorros, lagartos, minhocas... Uma diversidade. Como uma fauna de verdade deve ser. E esse mundo por acaso não é uma fauna? Encontramos bichos de tudo quanto é tipo. Os peludinhos e os sem pelo algum. Os amáveis e os bravinhos. Os bonitinhos, os mais ou menos e os feios. Os que inspiram confiança, os que inspiram medo e os que inspiram nada. E que bom que é assim, não é? Nunca faltarão animais gentis (outros nem tanto), em poses para o meu magnífico click. Eu e meu olho mágico de artista conceitual-contemporâneo-vanguardista. Sou o melhor fotógrafo de celebridades da fauna xapecoense, disparado! Não tem pra ninguém! Nem Tiago Freitas, Antonini, Digão... Ish! Nada disso. Eles que se acostumem! Minha polaróide já está no concerto, a ponto de bala. Vai ser um escândalo. Notícia na televisão que, as propagandas publicitárias do shopping Pátio e da Efapi 2011, vão parecer piada. Vou vender anúncios como ninguém nem como nunca. Todos vão me querer no seu plantel. Sou um animal determinado. Um lobo que habita as estepes por aí – e nessa solidão, tenho tempo e espaço pra pensar e criar meus meios. Astuto e com muita energia pra gastar com suas presas. Me transmuto fácil de lobo pra falcão. Assim dou meus rasantes. Assim, vôo sobre os abismos que um tal de Nietzsche deixou como perturbação humana. HGS, o ‘colonista social’ é pop! Animaaaaaal! E pros daqui que vão pro litoral e dão as costas pra sua origem, vai o meu recado: “Você pode até ter saído da roça... Mas a roça nunca saiu de você!”.



Pesadelo olfatório















Ontem dormi ao volante. A sua imagem dependurada na parede da minha memória. Minha embriaguez em alta velocidade. O mundo se apagando a minha volta. Por algum momento abro os olhos sem voz e imóvel. O tempo passou. Não há ninguém pelo lado de fora, apenas o branco do teto, das paredes e da sua pele. Alguns perfumes, algumas vozes enfraquecidas e trêmulas me parecem familiares. A bebedeira foi tanta! Não dei conta de todo o álcool que ingeri. Eu que nunca fui disso, tinha uma máquina motorizada em minhas mãos – e sob meus pés. Acelerei o que pude nem me dando conta do mal que poderia ter causado a alguém. Mas por sorte ou alguma providência divina ou mesmo por um destino bondoso, acabei me arrebentando sozinho. Meu coração batia com tanta violência que parecia querer saltar do peito. Os motivos? Meus motivos! Num ímpeto suicida de inconsciência, atuei como um burguesinho irresponsável. “Quer se matar? Pule de uma ponte ou se pendure em qualquer lugar pelo pescoço. Mas não comprometa outros no seu ato de desespero e covardia. Se foi derrotado pelo mundo, admita, a derrota foi sua, só sua, mais de ninguém. O mundo prossegue e ainda há gente nele, inclusive, gente querendo ir adiante”. Mas eu não fiz por mal. Não fiz por um egoísmo, vaidade, arrogância ou algo semelhante. Foi a velocidade. Foi o cansaço. Foi a embriaguez. “Não! Não adianta! Isso não é pretexto”. Fui mesmo um idiota! Movido por um espírito de morte, ou sei lá o que, fiz o que fiz. Agora pago. Ainda bem, não envolvi ninguém diretamente e fisicamente nessa deterioração. A culpa é toda minha, eu sei. Admito! Meus olhos foram se fechando devagarzinho, no ritmo da música que eu ouvia, e eu fui me envolvendo, me envolvendo... Quando fechei os olhos pude te enxergar. E só havia você no caminho. Nenhum outro carro, nem um muro ou poste - você! Só você! Minha agonia, meu desespero, minha dor. Eu que nunca gostei de correr. Eu que não tenho fixação por carros. Eu que nunca quis me matar ou machucar alguém. Eu que nunca havia dormido ao volante antes. Eu que quase não bebo. Eu que nunca havia morrido de amor antes. Aqui é tão escuro e não tem ninguém. Só a sua imagem. Não tenho visão, não tenho fala, não tenho voz. Mas ainda me resta um pouco do olfato. O seu, o nosso aroma, que agora se dilui e se mistura com outro. Um cheiro de vela se propaga no ar...



domingo, 13 de novembro de 2011

Olha o golpe! (ou 'o pão dos patrocinadores e da TV.. o circo do povo')

“Essas lutinhas de bicha!”. “MMA o cacete!”. “Aquela macharada musculosa, com cérebro e corpo de academia, enrustidos de uma figa!” - assim é a indignação de Pablo. Em determinados aspectos concordo com ele. Até o entendo. Toda vez que acesso a internet, lá estão eles. Aqueles lutadores cheios de músculos e pelados (no sentido ‘sem pelos’ – até parecem artificiais!), dando porrada pra tudo quanto é lado. Porque tentam nos enfiar goela abaixo esse ‘espetáculo’ de horrores? Porque não botam mulheres dançando, pulando, cantando, sei lá! Mas não aqueles musculosos suados se agarrando no chão. Um esporte que deve render muito, além de influenciar a gurizada. Culto ao corpo, maldita herança grega. Vende-se uma idéia falsa de saúde e beleza. A saúde está mais na cabeça do que nos músculos e a beleza mais nos gestos do que no aspecto meramente físico. Existem pessoas que, quanto estáticas, são uma beleza, mas basta um único movimento para que a ilusão se desfaça e a tragédia venha à tona. Antes fossem estátuas, esculturas, mas não seres animados. O MMA, ou Vale Tudo (mudaram o nome por causa da má impressão que ele carrega, não foi?), tornou-se uma ‘modinha’, como tantas outras no país do ‘faz de conta’. Me intriga saber que algumas pessoas que se acham e/ou se dizem ‘críticos’, ‘pensadores’, ‘rebeldes’, ou pelo menos, posam como tal, estarem entusiasmados com esse tipo de ‘espetáculo’ midiático. Mas isso também não me espanta. O ser humano vive de paixões. Eu mesmo sou um apaixonado. Dos piores. Quando amo alguma coisa, é foda! Só eu sei. Mas isso não! Gostar de ver essa macharada se comendo na porrada, não é pra mim. Sou mais um ‘kungfuzinho’. Antes, uma rinha de galo. Vale tudo não. Mas, existe gosto pra tudo, não é? Pablo se irrita com isso, se revolta, solta o verbo. Eu não tanto. Só faço minhas considerações escritas e/ou verbais nesse sentido. Não me estresso com isso. Mas isso também não significa que não tenha opinião sobre essa ‘moda’. A luta em si, até respeito, apesar de achá-la esteticamente pobre ou feia, e de uma técnica pouco apurada. Pra quem já foi encantado e praticante de artes marciais chinesas como eu (kung-fu e Tai chi), essas lutas são a vulgarização do que se chama arte marcial. Mas não se revoltem, essa é apenas a minha insignificante opinião. Podem discordar de mim - ou vão querer sair no braço por acaso? Pablo já quis. Mas por bem menos. Mas eu, eu só luto com as armas que disponho. E elas não são físicas... A palavra pode ferir mais do que um golpe bem no meio do focinho.



sábado, 12 de novembro de 2011

um poema resiginificado - parido em algum inverno passado...

Solidão Velada (ou Morte na Solidão)

Ouço lá fora o canto da chuva. Ela se foi...

O dia acordou cinza e eu sem cor

Perdi meu sorriso em plena segunda-feira

 

Aqueles dias no campo...

Como me dói a lembrança!

 

Meu olhar torpe mira o infinito em busca de alguma explicação

Mas não há o que explicar, tudo está tão claro

Ela se foi e eu a perdi - tão simples...

 

 

Amigos, parentes e até inimigos vieram

Alguns me observam com carinho

Outros com medo e desconfiança

Me parecem todos iguais, todos culpados

Todos como eu, impotentes e fracassados

 

Eu, na mira dos demais

Servindo como depósito dos rancores alheios

Olhares suspeitos cheios de vingança

Dor e desprezo, misto de sentimentos perdidos

Assolados pelo frio que nos condena

 

Blasfemam sem a menor precaução

Eu ouço e me movo, tento escapar do veneno

Mas ele me chega amargo e mortal

E eu morro...

 

Morro a cada passo dado

Morro sem mágoas nem ressentimentos

A cada segundo que passa

Um fragmento de vida que se desfaz

 

Desapareço...

 

Atravesso as paredes e me junto à solidão...

 

Volto e a vejo pálida,

Deitada na madeira e cercada de estranhos

Que em prantos lamentam a ocasião

 

Há um pano preto sobre o espelho

Algumas velas se apagam

A escuridão retoma seus espaços

 

O cheiro das flores mortas enche a sala...

 


                                                        Herman G. Silvani

























"Je Vis Dessus le Contour Vaporeux d'une Forme Humaine", 1896 - obra de Odilon Redon

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

O dia depois de ontem...

                                                                                                
                                                                          ao som de Pixies (Where is my mind?)

É, o mundo acabou! A partir de agora passamos a viver na irrealidade. A cada fim de mundo eu renasço. Ano que vem tem de novo. Será 12 do 12 do 12. O fim marcado para as 12horas. Mas este ano, tem mais um fim. Dizem. 21 de dezembro, se não me engano. Um outro fim. Os apocalípticos de plantão já estão correndo contra o tempo. Decerto não sabem os tolos, o tempo é quem decide, sempre. Os arautos do apocalipse, os pregadores do fim, estão aí, sempre em volta enchendo o saco com isso. Mas realmente, o mundo acabou. Olhe para seu lado e veja quanta irrealidade há no mundo. O real só existe por causa dos conceitos. Tudo o que conhecemos, e só o que conhecemos, se conhecemos é devido ao conceito que criamos pra isso. Confuso? Sim. Confuso assim como tentar explicar o motivo das coisas vivas. As mortas, bem, essas morreram. Gosto do número onze. Sempre gostei. Desde criança. Nem sei por que, mas gosto. Hoje eu renasci. Aliás, a cada dia em que acordo renasço: “Opa! Acordei!” – digo pra mim mesmo. Acordo e o dia sorri pra mim. Agora basta eu retribuir. Não, não vou tornar esta crônica uma mensagem de auto-ajuda. Não se preocupem! Alguns podem estar até pensando: “Ah! Que pena!”. Mas isso não é pra mim. Não que eu seja alguém negativo (aliás, se fosse, nem gastaria meu tempo escrevendo tanto assim, na tentativa de mover algo do seu lugar), mas essa pretensa alegria, essa felicidade caricata, não faz meu estilo. Prefiro a zombaria, a alegria caótica do bufão, a felicidade espiral daqueles que não se disfarçam. Deixe o ideal para os idealistas. Deixe o discurso para os discursistas. Deixe a moral para os moralistas. Eu opto pela contradição, pelo caos meu de cada dia, pela alegria criativa e instável de ser. Somos todos vulneráveis e é a natureza que grita em nós, e nós calamos a sua boca para que não acordem os anestesiados do coma social. O fim do mundo é uma promessa. Uma falácia religiosa para que o medo recaia sobre as cabeças menos pensantes. A busca do paraíso através do sofrimento e do comodismo. A imagem do Cristo chicoteado carregando a cruz. Os fiéis o imitam. Os fiéis o veneram, idolatram, mas no fundo, vivem no escuro da razão. Movidos pelo medo da perdição, buscam a salvação através dessa luz. O fim é uma ameaça constante daqueles que rastejam e querem levar com eles todos os outros. Nem sabem os tolos, mas fazem sua própria condenação...

12/11/11.




















"As coisas que você possui, acabam possuindo você" (O Clube da Luta)


hgs.

terça-feira, 8 de novembro de 2011

Liberdade de informação?

Julian Assange e o WikiLeaks estão a perigo. E agora? Onde estão os arautos da informação livre? Meios de comunicação e jornalistas que discursam a dita ‘liberdade de imprensa’, ‘informação livre’, e etc. Manifestem-se! Reajam! Ou tudo não passa de falatório? Discurso? A acusação que recai sobre Assange, o mentor e principal força do site WikiLeaks, é no mínimo questionável ou suspeita de tentativa conspiratória. O cara se meteu com ‘peixes grandes’ e agora está pagando. Grandes corporações e seus governos capitalistas estão tentando a todo custo acabar com Assange e o WikiLeaks. Se realmente, os meios de comunicação de massa se importassem com uma comunicação, uma informação livre e comprometida com o social, seria agora à hora de se manifestarem contra essa tentativa de poda, censura, perseguição e aniquilação do WikiLeaks. Mas não. Essas empresas de comunicação estão sob o julgo e interesses dessas corporações, dessas empresas poderosas e seus governos corruptos e ideologicamente mantenedores do sistema – desse sistema, que tanto discursam contra. Até a revista Veja saiu com uma capa onde se demonstrava ao lado das manifestações contra a corrupção no país. Mas quem é a Veja? Quem está por trás dela? Não sei. São apenas perguntas de um homem curioso que precisa ter uma crônica publicada por dia no jornal, cara pálida! Parte de parte do meu ofício. Coisas que só a ‘democracia’ permite – né?! E ‘viva a democracia!’. Amém! Mas é isso, vamos lutar por essa condição ou não? Condição de ‘liberdade’: Iluminismo, Revolução Francesa, Liberalismo, e toda aquela coisa que predomina na nossa cultura ocidental até hoje. Mas o quanto disso tudo é realidade? O quanto disso tudo é só discurso? Não sei. Mas, é questionável, no mínimo. Quem acredita e qual é a relevância de Assange ter cometido mesmo algum ‘crime’ de ordem sexual? Isso diminui a importância de quem ele é para o mundo da informação, da comunicação? Por quê? É o discurso acima da velha e maquiada moral tentando submeter o que é realmente relevante. Daqui um pouco, isso tudo desaparece e fica no esquecimento – levando em conta a miserável memória de grande parte da população, que segue modismos e tendências, que acredita cegamente nos meios e é condicionada a não duvidar, questionar, pensar - apenas crer e seguir. Assim é que se mantêm as ‘verdades’ intocáveis – e o modo de vida, a moral, as crenças e costumes, numa razão forjada para o privilégio de poucos que, maquiavelicamente, dão as cartas do jogo.



Indicações humanitárias & solidariedade...

tá deprê? indico! baita auto-ajuda!



sofre de surtos politicamente-corretos? indico!


- carona!!!

Interação...


















                                                    


São raios que caem com fúria do céu e atingem de cheio nossa melancolia.
O mundo onde proliferamos e geramos vida - e geramos morte.
Estamos sós & desolados, como um animal ferido que se esconde para morrer – ou como um certo lobo da estepe.
Estamos juntos e aromáticos, como um jardim de flores vivas.
Esfacelados na nossa própria paixão, pelo nosso delirante amor, nesse vasto campo de batalhas. Você, eu e você. Nós!
Não haverá vencedores, por isso não deveria haver batalha.
Essa guerra não é nossa – nem essa paz!
Só possuímos a nós mesmos, nossos corpos. A pele que habitamos.

- Eu tombaria sorrindo. Encontraria o chão.

São estragos de bala num coração esfacelado por dois furos de loucura.

Caído em descanso, como os trigos já secos dessa plantação, eu receberia as melhores notícias dos seus doces lábios.
Saberia que a guerra acabou e que estamos livres de toda a opressão, finalmente! Ouviria da sua voz uma tentativa afinada de melodias - como da primeira vez, lembra?
Ou você puxaria minha mão, e numa parede numa noite embriagada de festa, com um beijo me transformaria noutra coisa – pularíamos todos os muros do mundo em busca de refúgio onde pudéssemos apenas ‘ser’.

Nossas almas de poesia. Nossa música dissonante. Nossa torpeza para com o mundo. Nossas cicatrizes beijadas como cura.

Um e outro trago de vinho para nossa mistura na noite.
Um e outro veneno para que tudo não passe a ser puro demais.
Nossa contaminação...

Nossas afinidades e diferenças nos fazem melhores.
Superamos assim a raça dos medíocres, dos congelados na moral,
filhos do medo e de toda a conformidade.

Eu te abraço com cuidado, carinho e com força & o mundo todo para ao nosso redor. Estamos ébrios nessa sobriedade que nos cerca.
Nos querem todos iguais, como máquinas, como frutos de uma mesma árvore.
Mas até os frutos de uma mesma árvore são diferentes.
E nessa multisonora resignificação dos nossos anseios e aspirações,
quando nossas mãos se tocam entrecruzando os dedos - e com o calor dessa interação, nos vemos enfim - como partes de um todo, onde esse contato, esse atrito, essa transformação, vira o mundo pelo lado avesso, tornando tudo mais tolerável.

& eu fecho os olhos e posso dessa forma enxergar...

duas crônicas mundanas publicadas no Voz do Oeste por este que vos perturba a paz de espírito

Quanto vale o seu intelecto?

Que história é essa da academia brasileira de letras homenagear o jogador Ronaldinho Gaúcho com a medalha ‘Machado de Assis’? Não sabia que o dito cujo escrevia. Ou não escreve? Ele não é jogador de futebol? Mas isso também não é surpresa. A academia brasileira de letras, há tempos, tem atitudes medonhas, de uma miséria cultural se precedentes! Ter o ex-ex-presidente FHC (Fernando Henrique Cardoso) sentado numa das suas cadeiras, já explica muito dessa ‘academia’ (ou é o Collor de Melo? O Itamar Franco? O Sarney? Agora me confundi! Mas vamos em frente!). O grande poeta gaúcho, mestre no lirismo e dono de uma linguagem simples, porém profunda e inteligente, Mário Quintana, teve negado seu ingresso nessa academia. Tudo, porque ele era escritor - decerto! Talvez, se fosse um político falcatrua ou um jogador de futebol que ganha seus milhões por ano, teria sim seu banco lá reservado. Depois de ser enxotado da academia, veio o convite. Mas Quintana como um bom poeta (gaúcho ainda por cima – hehe!), na sua coerência, disse um sonoro ‘NÃO!’ ao antro dos intelectuais (muitos, intelectualóides!), ícones desse Brasil que tem como maior sucesso de vendas em ‘literatura’ um sujeito que escreve coisas exorbitantes, exotéricas, astronômicas. Vocês conhecem o Paulo Coelho? Pois é. Mas não é só aqui. No mundo todo, a literatura ‘quase fantástica’, mirabolante, divagante, onde vampiros, cavaleiros templários, garotas tristes e aquele arsenal de vazios se misturam ao bom mocismo de algum personagem redentor, onde linguagens que retardam e ignoram certa poética tão necessária a arte literária, deixam pobre a própria linguagem, a profundidade da estória, as palavras e frases. E a literatura passa a ser algo meramente alegórico, mercadológico, quando não, ideológico, perdendo assim seu poder artístico e criativo. E é esse tipo de literatura que predomina no mundo dos negócios, do dito mercado cultural. Diariamente vejo jovens e adolescentes com livros desse tipo nas mãos. Pobres criaturas! Queimem todo esse lixo! Existem grandes obras esperando para serem lidas por vocês! ‘Mas Herman, quem é você pra falar desse jeito?’. Sou o maior intelectual brasileiro dos últimos anos – depois do Ronaldinho Gaúcho, é claro!


11 Maneiras de se manter a sanidade num ímpeto de loucura

Numa crônica anterior eu falava do maior intelectual brasileiro que eu sou depois do Ronaldinho Gaúcho que foi honrado com o prêmio/medalha ‘Machado de Assis’ pela nossa insigne Academia Brasileira de Letras. É tudo a mais pura verdade, acreditem! Amém! Mas não só de ‘academias’ vive a intelectualidade brasileira. Temos os blogs também (e seus blogueiros, é claro!). Muito filósofo pra pouca ou nenhuma filosofia, isso é o que é! Como diz um amigo, meio cão, meio poeta, meio-meio: ‘Xapecó é uma cidade de muitos poetas e nenhuma poesia’ (e a rede está cheia desses enroladores burocratas e discursivos). Vou lançar um livro e espero que vocês comprem (só não sei quando), pois é pra vocês. Todos os meus cinco leitores vão poder ler com certo lirismo, admiração - ou nada disso - esse escriba que passa os dias entre um delírio e outro, algumas razões mal domadas, pólvora e muita palavra no papel. Uma rachadura. Um rabisco. Uma rasura. Uma ruptura. Sim, serei um escritor de sucesso, assim como dom Paulo Coelho ou Machado de Assis. Não, não estou comparando os dois. Se bem que... Ah! Deixa pra lá! Eu divago porque a divagação me faz bem – às vezes! Não, não estou bêbado. Só se chimarrão deixa bêbado e eu não sabia, aí sim! Pelo menos, acho que é erva mate que estou bebendo: “Ei Liza! O que é que você colocou nessa cuia?”. Acabo de voltar de duas aulinhas básicas. Um pouco de história, filosofia e música. Assim foram as aulas de hoje. Alguns alunos acham que eu bebo muito mate, e que ele acaba afetando minha memória. Sim, algumas ervas afetam mesmo, mas não a erva mate – não que eu saiba. Mas não é nada disso. É o excesso de informações o que às vezes me deixa meio desmemoriado. Desde criança leio muito. Placas, panfletos publicitários, cães que arriscam-se atravessando as ruas, certas caras de certas pessoas, certas palavras, certos aromas soltos no ar, revistas-livros-jornais, música... Aliás, me alfabetizei muito cedo em placas e outdoors nas rodovias, no tempo em que viajava bastante com meus pais, depois aprendi a realmente ler, além do que está registrado visualmente, e de lá pra cá, meus olhos e minha mente não pararam mais. Às vezes eu durmo. Às vezes me desligo de tudo (ou quase tudo – ultimamente ta difícil! Dio!). Acabo de cevar mais um mate. Vou bebê-lo antes que a água esfrie. Você! Hoje é segunda. Não se esqueça de folhar o jornal, pra frente devem existir informações preciosas, porque aqui reina a confusão - minha dose diária de Caos...



quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Eternidade (para Rimbaud)

                                          “Nitimur in vetitum” *




















 

 

Fomos ao monte, mas não chegamos ao cume. Foi desastrosa baby! Sim, nossa subida foi desastrosa, engraçada - que acabamos por rir disso. Nos divertimos. Achamos graça. Nossa luta, nossa dor, nosso cansaço. Tudo será recompensado, acredite! (você sai em busca do seu sorvete invisível, enquanto eu opto pela cerveja – consideremos o verão baby, este calor...) - & não percamos a diversão, nunca! A tagarelice daquelas pessoas que falam demais por não ter o que dizer. Elas estão por toda a parte, transitando, vendendo-comprando, falando, falando... Atrapalhando o fluxo, minha solidão, seu caminho, nosso espaço. Deixe-os! Que fiquem putos! Deixe os que não entendem e que, por isso, se preservam tanto para o paraíso que acabam rastejando até o fim. Pobres almas! A decadência do mundo nos quer andando junto com ela, em linha reta, em marcha para baixo. Mas nós andamos pra cima e, a cada degrau, um verso de um poema que escrevemos por aí, um passo sonoro para o alto das nossas existências. Mesmo fechado pra nós, avançamos o sinal baby. Quebramos a cara, resistimos e ainda sorrimos. Estamos vivos, fortes e em atividade. Pois ‘tudo o que não nos mata, nos fortalece’ – e nós sabemos bem disso (Assim falou Nietzsche – ou fomos nós naquela conversa silenciosa que tivemos através desses olhos?). Nosso aroma se funde a natureza. O aroma das coisas vivas. O sabor dos nossos dias e das noites que passamos abraçados, sem dizer uma única palavra, sem emitir um único som, sem provocar um ruidozinho se quer. Nada. Eu divaguei pelo mundo, pelas ruas, no seu quarto, no seu corpo, na sua boca, entre seus dedos, na sua alma. Disse coisas através de livros e canções quase esquecidas. Você leu. Você ouviu. Enquanto o desespero dos amargos que gritam sua moral pelo mundo sucumbe no tempo, nosso aroma envenena o ar dos puros e medíocres – vaidosos de toda a estirpe. Eles não sentem o nosso cheiro. Eles não bebem do nosso vinho nem cantam a nossa canção. Aprendemos linguagem própria. Superamos assim uma derrota, uma falta, um abismo. Nessa breve temporada aqui – seja no inferno, seja no paraíso – saímos feridos, com um risco de faca na alma de cada um e um furo de bala no lado esquerdo do peito – sobrevivemos! Quando mortos, viveremos em estórias eternizadas por aí. Não vê? Somos lenda nas rodas de cantigas. Somos versos na boca de poetas e cancioneiros. Somos vibrações nas cordas de algum violão andarilho que escolheu a vida pra tocar. E continuamos. Sim, descobrimos algo raro: “Arthur! Ei, Arthur!” - “Foi enfim achada!”. “Quê?”. “A eternidade... É o mar ao sol”.

 




















* do latim: “Lançamo-nos em direção ao proibido” (F.W. Nietzsche)



Manifestando vulgaridades (ou 'a mediocridade nas redes sociais')

Divagando, navegando, rodando. A rede anda cheia. Cheia de vazios e outras frivolidades. Rede mundial de computadores. Internet. Tem peixe, tem tubarão, baleia e piranha. Tem muita tainha também - & ladainha! Tem tudo quanto é peixe. Para gostos distintos e diversos. Só não pesca quem não quer ou não tem a prática. A última, uma corrente no facebook, tirando onda com o ex-presidente Lula, sugerindo, com certa ‘ironia’ (ou arrogância?), que ele trate do seu câncer no SUS. Vejam só a profundidade e efeito desta ‘manifestação’ (se é que assim dá pra chamar isso). Se mostra mais um ‘ódio’ ao ex-presidente petista, esquerdista, ex-operário, o que for. Ódio ‘pequeno burguês’, como dizem alguns ‘marxistas’. Esse tipo de manifestação é daquelas que banalizam, vulgarizam alguns problemas reais – ou acham que isso vai mudar algo? Não, não vai. Vai é engordar o ‘espetáculo’. Hoje, tudo (ou quase tudo), é motivo para manifestações desse tipo: bestas, ignóbeis, medíocres, diminutas, mesquinhas. É a ‘democracia’ dizem alguns. Eu digo: é a falta de bom senso e racionalidade desse tipo de manifestante. Revolta ‘pop’, sem rumo, sem posição e com um sentido miserável. A miséria do pensamento. A miséria da ação. Mas é o limite que cada um tem. Cada um pensa e age conforme seu intelecto, suas informações, seu conhecimento, sua vivência, condição, contexto, e ‘capacidade’ de interpretação-compreensão. Então tá tudo certo. Será? Antes fosse. Mas nem tudo é tão relativo e aceitável assim. Universitários e/ou estudantes devem se portar como tal, e não como meros reprodutores de uma sociedade medíocre. Mas, temos o dito sertanejo universitário pra contradizer isso, não é? Esses manifestantes de uma figa! Acabam por banalizar tudo. E os produtores desse ‘espetáculo’ agradecem! Até a revista Veja tem se manifestado ‘contra’ a corrupção no país. Veja só que coisa! Quem está por trás da Veja pra isso? Utilizam-se de símbolos de ‘rebeldia’ para fazer de conta que estão do lado da ‘justiça’ e do bom senso. Assim, se encobrem as trapaças e o jogo sujo dessa mídia e seus defensores/divulgadores. São os símbolos da rebeldia usados para a vulgarização da própria contestação, onde tudo passa a compor o ‘espetáculo’. Enquanto isso, por debaixo do pano, o que realmente causa dano, acontece e passa despercebido aos olhos dos menos atentos. Eis a estratégia dos que mantém a situação sob controle – pra si, pros seus privilégios e vaidades...


Ser ou não ser, eis a questão!

Abro o jornal, a revista, ligo a tevê, o rádio, boto o pé na rua, e lá está ela, a publicidade, vendendo o seu peixe. Junto ao peixe, junto à mercadoria ofertada, está a idéia. Se não se vende a idéia, pelo menos se induz a pensar daquele jeito, ou seja, do jeito que a propaganda intenciona. E é pra isso que também serve a publicidade (vejam como estou sendo generoso). Muito discurso, retórica, técnicas de convencimento. Como ‘professor’, me inquieta ver propagandas sensacionalistas e hipócritas, que oferecem um serviço ou algo ligado a construção do conhecimento humano e a uma dignidade, a um bom senso de vida, de forma banal. Muitas escolas e faculdades utilizam-se desse discurso publicitário como chamarisco, assim como uma igreja faz para ter a atenção dos seus fiéis. Mas estudantes não são os fiéis (ou pelo menos, não deveriam ser). Estudantes não são meros consumidores de produtos efêmeros (ou pelo menos, não deveriam ser) – já que o conhecimento não é um produto efêmero de mercado. Descaradamente, o discurso de concorrência e justificativa de um dito ‘sucesso’, de algo que se diz ‘bem sucedido’, é vinculado na mídia até pelas instituições de ensino. ‘Somos os melhores!’. ‘Os que mais aprovam no vestibular’. ‘Temos os melhores profissionais’. ‘Somos o diferencial’ – e blá, blá, blá... Chega-se até vincular a educação com a imagem e conceito de belo, este conceito de beleza e de culto ao corpo, de influência grega, que tanto vende e aparece nos programas medíocres da televisão (leia-se big brother, a fazenda, legionários, entre outros...). Pessoas bonitas, mulheres ‘gostosas’, desfilando seus corpos em trajes de apelo sensual (quando não, sexual). E o que isso tem haver com a educação? Com o conhecimento? A publicidade capitalista e ordinária vincula isso aos produtos de mercado para insinuar ao consumidor ou ao jovem que vai escolher determinada instituição de ensino, que isso é o melhor para ele. Lá vão ter pessoas bonitas, que caminham para o sucesso profissional. E os pais também caem nessa, talvez, por almejarem isso aos seus filhos, não sei! Querem convencer a quem com esse papinho? Escola ou faculdade são locais de estudo, de construção do conhecimento, de ciência, e não um mercado, um shopping ou algo que valha - ou pelo menos, deveriam ser...