quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Eternidade (para Rimbaud)

                                          “Nitimur in vetitum” *




















 

 

Fomos ao monte, mas não chegamos ao cume. Foi desastrosa baby! Sim, nossa subida foi desastrosa, engraçada - que acabamos por rir disso. Nos divertimos. Achamos graça. Nossa luta, nossa dor, nosso cansaço. Tudo será recompensado, acredite! (você sai em busca do seu sorvete invisível, enquanto eu opto pela cerveja – consideremos o verão baby, este calor...) - & não percamos a diversão, nunca! A tagarelice daquelas pessoas que falam demais por não ter o que dizer. Elas estão por toda a parte, transitando, vendendo-comprando, falando, falando... Atrapalhando o fluxo, minha solidão, seu caminho, nosso espaço. Deixe-os! Que fiquem putos! Deixe os que não entendem e que, por isso, se preservam tanto para o paraíso que acabam rastejando até o fim. Pobres almas! A decadência do mundo nos quer andando junto com ela, em linha reta, em marcha para baixo. Mas nós andamos pra cima e, a cada degrau, um verso de um poema que escrevemos por aí, um passo sonoro para o alto das nossas existências. Mesmo fechado pra nós, avançamos o sinal baby. Quebramos a cara, resistimos e ainda sorrimos. Estamos vivos, fortes e em atividade. Pois ‘tudo o que não nos mata, nos fortalece’ – e nós sabemos bem disso (Assim falou Nietzsche – ou fomos nós naquela conversa silenciosa que tivemos através desses olhos?). Nosso aroma se funde a natureza. O aroma das coisas vivas. O sabor dos nossos dias e das noites que passamos abraçados, sem dizer uma única palavra, sem emitir um único som, sem provocar um ruidozinho se quer. Nada. Eu divaguei pelo mundo, pelas ruas, no seu quarto, no seu corpo, na sua boca, entre seus dedos, na sua alma. Disse coisas através de livros e canções quase esquecidas. Você leu. Você ouviu. Enquanto o desespero dos amargos que gritam sua moral pelo mundo sucumbe no tempo, nosso aroma envenena o ar dos puros e medíocres – vaidosos de toda a estirpe. Eles não sentem o nosso cheiro. Eles não bebem do nosso vinho nem cantam a nossa canção. Aprendemos linguagem própria. Superamos assim uma derrota, uma falta, um abismo. Nessa breve temporada aqui – seja no inferno, seja no paraíso – saímos feridos, com um risco de faca na alma de cada um e um furo de bala no lado esquerdo do peito – sobrevivemos! Quando mortos, viveremos em estórias eternizadas por aí. Não vê? Somos lenda nas rodas de cantigas. Somos versos na boca de poetas e cancioneiros. Somos vibrações nas cordas de algum violão andarilho que escolheu a vida pra tocar. E continuamos. Sim, descobrimos algo raro: “Arthur! Ei, Arthur!” - “Foi enfim achada!”. “Quê?”. “A eternidade... É o mar ao sol”.

 




















* do latim: “Lançamo-nos em direção ao proibido” (F.W. Nietzsche)



Um comentário:

Anônimo disse...

..e assim falou Zaratustra!