segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

Selva

Por Fabiane Tedesco
Essa não é uma edição de Natal comum. E como seria? Em tempos de morte e censura, o mínimo que podemos fazer é questionar e que as luzes do Natal não nos ofusque. Não se pode perder a linha, não se pode esquecer dos fatos: é um momento pesado em Santa Catarina.
É momento de um adeus que corta fundo, é momento de continuar lutando. É tempo de encontrar o inimigo, onde quer que ele esteja, descobrir suas intenções, jogá-las ao vento, espalhá-las em cada ouvido desatento.
Ah, nós jornalistas, com as barrigas cheias de ideologia: sempre ansiamos por uma boa história para contar, viver em tempos de ditadura, de censura, de grandes acontecimentos. Pois bem, aqui estamos. E agora? Agora, é hora de mostrar a que viemos.
Vimos que os anos de chumbo ficam mais atraentes nos livros de história, que quando se vive um bang bang, repleto de mistérios e dores, é bem pior. Tememos por nossas vidas, por nossos empregos, por nossas crianças que também caminham pelas mesmas ruas caladas pelo medo, desligadas para o inimigo passar impune e irreconhecível.
Tememos, mas somos fortes. Tememos, mas estamos juntos no medo, na dor, no silêncio que espera para se tornar voz, alta e clara, tomando de súbito esse velho e sentido oeste selvagem.

* Texto dedicado ao amigo e colega Herman G. Silvani que nos encantou e nos fez pensar ao longo de 290 intensas crônicas – que um dia, quem sabe, caberão em um livro.


sábado, 24 de dezembro de 2011

Feliz Natal & Ano Novo! Aceleraaaaaaaaa Xapecó!


* eis o vídeo do Estúdio A que sumiu misteriosamente da UnoWebTV.. obscuridades nos bastidores do 'espetáculo'..

sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

...a saidêra!

Um brinde!







                                                                                     











                                                                             para todos e para ninguém

Ontem mesmo encontrei a felicidade na esquina. Era o olhar de uma puta decadente sorrindo e fumando seu cigarro paraguaio. Era o balançar do rabo de um cão abandonado e cheio de pulgas (e não sei por que, mas acredito que alguém que possui eternidades deu seu nome de ‘perigo’). Era o olhar sujo de uma criança selvagem que corria pela rua cantando uma canção esquecida. As pessoas nascem, crescem, se reproduzem e morrem. Tanto aqui quanto em qualquer outro lugar. Algumas nem chegam a nascer direito. Outras, não crescem. Muitas não se reproduzem. Todas morrem! E eu estou feliz. Pela puta, pelo cão e pela criança. Feliz porque moro numa cidade cheia de prédios bonitos e automóveis luxurientos e gente feliz. Uma cidade onde todos podem sorrir e cantar, alegremente, sem aquela reclamação chata que alguns cronistas insistem em publicar nos jornais ou blogs por aí. Sem aquelas manifestações mais chatas ainda que muitos insistem em postar nas suas redes sociais mundo a fora ou despejar pelas ruas limpas e ordeiras da cidade. Eu sou um chato. Um chato dos piores. Mas minha chatice chega a ser cômica. Muitos não me toleram por isso. ‘Esse chato!’. Mas ser chato tem lá as suas vantagens. Sendo um chato, afasto de mim os que eu considero chatos. Mas o dia está bonito e vai chover. Xapecó precisa de água para molhar a terra, amenizar o calor e limpar toda a sujeira que existe pelas ruas ou por detrás de alguma mesa. Olho para as luzes de natal e vejo seu brilho como é artificial e pouco intenso. Olho para o sol e o seu brilho é o mais intenso e me cega. Então olho para o brilho dos olhos de quem eu amo. As crianças, os cães e você(s). Os brilhos dos seus olhos me alimentam e têm toda a intensidade de que eu preciso. Eu sorrio. Nós sorrimos! O mendigo que passa diz que eu tenho o olhar triste, porém, vivo. Me alegro. E ele diz que a minha alegria, quando vem, pelo menos é sincera. Eu ouço, enquanto alguns transeuntes sussurram: ‘Loucos!’. Da minha guitarra tiro acordes e melodias que dão para a rua. Quem passa também deve pensar: ‘Louco!’. Não nasci para tocar guitarra. Nem para escrever. Mas foi o que o mundo deixou pra mim. O que me restou nesta festa de gigantes que, lá no final, acabam sempre por devorar a si mesmos. E eu acho tudo isso trágico & divertido. Hoje é um tempo tão belo pra se viver! O natal chega e o ano logo, logo se encerra. Começa outro e assim por diante. E eu ainda respiro, porque ainda existem coisas para lutar por elas (enquanto existir energia e motivos pra isso). Pois bem, meu bem! Hoje vou sair de casa & beber uma com Dionísio - e se alguém ligar, por favor, diga que eu não existo.



Convulsão, confusão. Caos & continuação...
























“É preciso ter um caos dentro de si para dar à luz uma estrela cintilante”  (Nietzsche)

"Eu tô te explicando / Prá te confundir / Eu tô te confundindo / Prá te esclarecer" – assim canta Tom Zé, um dos mestres tropicalistas numa das suas canções. Assim também é meu canto por aqui. Um canto, por vezes torpe, desafinado, dissonante. Um canto em forma crônica. Às vezes também me arrisco na prosa & nalgum verso meio torto. Já fui duramente criticado, severamente menosprezado, inutilmente difamado. Mas disso tudo, ainda prefiro os elogios – e não são poucos. Mas também, não são muitos. Alguns. Tipo... Dá pro gasto! Sou fruto do meio em que vivo e tenho consciência disso. Mas também, sou agente nesse meio - & assim também grita minha consciência. Tá certo que às vezes a perco numa garrafa de rum ou em alguns copos de cerveja. Ontem mesmo sequei o resto da garrafa de uísque que guardava já a algum tempo. Fazia calor, como hoje, e os monstros lá de dentro da saudade me perturbavam. Eu não fiz conta e enchi por algumas vezes o copo. Brindei a Dionísio e fui dando meu abraço na embriaguez, essa maldita companheira que sempre me salva. Escrever não é fácil. Se engana quem acha que é. Também não acho tão difícil ou terrível. Já vivi momentos piores e sei que existem coisas piores também. Então não reclamo, escrevo. Faço das minhas linhas caóticas uma comunicação. Mesmo que nem todos a entendam. Aliás, penso que uma minoria entenda. Ou, se entendem, sei que muitos não concordam com algumas das minhas posições. Mas tudo bem, sou um homem de posições. Prefiro isso do que ser um homem de imposições. Não imponho nada. Antes, me exponho. Assim, vivo sujeito ao tempo - aos trâmites do tempo, como todo mundo. Já me perguntaram se eu não tenho medo de gerar certa convulsão. Medo? Até tenho, mas sou corajoso o suficiente para superá-lo. Alguém que andou me lendo (ou lendo o que escrevo) me disse que sou adepto da confusão. Discordo. É Caos e não confusão (leia-se Teoria do Caos). Talvez, contradição. Mas isso depende... O uso desses termos e/ou terminologias pode ser muito relativo. Tudo depende do contexto em que se aplicam (agora falo enquanto historiador). E quando falo em Caos, não é esse ‘caos’ vulgarizado pela reprodução discursiva dos meios. Se algum texto meu causou um dia algo assim, só poderia eu pedir desculpas. Mas não. Não quero! A desculpa pode ser um conforto. Aí fica fácil deitar convencido de que fiz o bem. Não estou aqui pra isso. E pra não deixar tudo muito compreensível, é o Caos quem gera continuação, não o conforto...  & “que belo travesseiro é o Caos!” (Cioran).

A crônica...


* Editorial do Voz do Oeste do dia 23/12, sexta-feira, escrita pela amiga e editora chefe:

Sobre questões crônicas
"A estrutura da crônica é uma desestrutura; a ambiguidade é sua lei. A crônica tanto pode ser um conto, como um poema em prosa, um pequeno ensaio, como as três coisas simultaneamente. Os gêneros literários não se excluem: incluem-se. O que interessa é que a crônica, acusada injustamente como um desdobramento marginal ou periférico do fazer literário, é o próprio fazer literário. E quando não o é, não o é por causa dela, a crônica, mas por culpa dele, o cronista. Aquele que se apega a notícia, que não é capaz de construir uma existência além do cotidiano, este se perde no dia-a-dia e tem apenas a vida efêmera do jornal. Os outros estes transcendem e permanecem." (PORTELLA, Eduardo. Visão prospectiva da literatura brasileira, 1979, p. 53-4. In: Vocabulário técnico da literatura brasileira. Rio de Janeiro, Tecnoprint, 1979.)
O fazer literário. Literatura, não notícia. Esse é o trunfo da crônica e o trunfo do cronista. Enquanto no jornalismo temos sempre que verificar todos os lados possíveis, na literatura há a abertura para opinião. É possível cobrar um repórter por um determinado direcionamento, mas nunca um cronista.
O cronista tem nas mãos a chance de ousar muito mais, de não agradar, de dizer o que pensa sem precisar por isso na boca de nenhuma fonte. Sua visão de mundo é o que o sustenta, não as notícias, não os fatos. O cronista é um poeta, é um artista. E não se pode calar um artista.
Fabi (fabita)


dois recados...


* pra quem ainda não sabe, anda rolando certa polêmica pelas redes sociais em torno da minha saída do jornal Voz do Oeste, onde eu era cronista diário, assim como o assassinado do professor e vereador Marcelino Chiarello (denunciante de corrupções), e o sumiço do primeiro bloco do programa Estúdio A da Unowebtv que falava de manifestações que ocorrem pelo mundo, e como Xapecó está no mapa (ainda!), não ficou de fora do assunto.. tudo sem muita explicação.. tempos 'estranhos' meus amigos, tempos extranhos.. a partir disso tudo, produzi alguns textos que já foram publicados no jornal, e outros que estão aqui no blog. enfim. leiam, reflitam, divirtam-se.. e tirem suas próprias conclusões.. gracias!

Aos insetos...

Me deixem de lado. Esqueçam minhas músicas, minhas palavras malditas. Queimem todos os meus livros, meus discos, minhas formas de continuar essa minimalista e caótica existência. Que não fique nem a poeira debaixo dos meus sapatos - meu rastro de decadência! Não quero seguidores pegando no meu pé. Nem críticos ou conselheiros me dizendo o que e como fazer ou deveria ter feito. Se quiser ler algo descente, sugiro qualquer coisa de auto-ajuda. Aí você se livra de incômodos e perturbações de ordem existencial-psicológica. Aí você vive sem o peso de uma consciência critica e/ou ousada. Apenas respira e segue a ordem artificial das coisas. Se afasta do perigo, da dor de cabeça, de possíveis indigestões. Tenho um livro escrito que jamais será publicado. Ele fala de coisas impossíveis ou improváveis. De coisas que nenhuma editora vai querer saber. De coisas que nenhum escritor satisfeito com sua literatura vai considerar. Todos fugirão da minha obra como moscas quando fogem do inseticida. “Inseticida!”. Ta aí um bom nome para o meu livro. Nele ouvirão através das paredes carcomidas do seus quartos, cantigas fantasmagóricas de personagens que sempre estiveram nos seus sonhos e/ou pesadelos, mas que vocês nunca perceberam ou não quiseram ouvi-los falar. Só crianças selvagens e velhos dementes viciados no jogo do baralho e jovens-adolescentes rebeldes de causas perdidas e putas depravadas nos seus sonhos de alegria comum e adultos bufões-andarilhos nesse circo asqueroso poderão compreendê-lo e rir dele/com ele – esse meu livro de canções vulgares e alguma eternidade. Esse meu livro underground – que de tão underground nem existe! Sugiro (ou aconselho) que não comprem. Vivam suas vidas melecadas de sonhos açucarados longe desse tipo de literatura. Henry Miller, Bukowski, Efraim Medina Reyes e Pedro Juan Gutiérrez são algumas das referências para essa enfermidade em forma de texto que em breve eu vou parir. Tenho aqui uma pequena mostra em verso pra vocês:

Os bons tempos do matadouro

(...)

“quem nunca esteve num matadouro
sabe pouco da vida
e da morte, menos ainda...

a realidade é um naco de carne no osso duro da vida”.


Lindo, não?!

Em breve! Na banca mais distante da sua casa!



*


Nada acaba, tudo se transforma... (?)

Daqui de onde estou as coisas se mostram diferentes. Durante um ano e alguns meses escrevi crônicas e algumas ‘maldições literárias’ aqui neste jornal. Um espaço aberto e aos poucos construído, conquistado, ocupado, portanto, independente. Um texto, se não escrito, pelo menos publicado, todo santo dia, é bem fácil de se produzir, não é? Quem se arrisca? “Você é louco Herman...”. De louco, todo mundo tem um pouco. Mas louco eu não diria, talvez apaixonado (pelo ofício de escrever) – e todo o apaixonado é um pouco louco. Indicado pela minha amiga (jornalista e escritora – das boas, faça-se justiça!) Fabi, a fabita, atual editora do Voz, foi que eu pude trabalhar nessa coluna. Nunca fui contratado oficialmente pelo jornal, escrevia (escrevo) para o jornal, mas independentemente. Coisa que alguns não compreendem muito bem. Foram muitos textos. Alguns bons outros ruins. Outros ainda, nem chegaram a isso. Falei de tudo um pouco e de quase nada. Neste tempo, nunca fui podado ou controlado. Por isso não me estranha muitos terem me dito: “Tá durando ein Herman!”. E agora que me despeço nesta penúltima crônica, alguns dizem: “Durou muito!”. Não sei se sou um pouco ingênuo ou tenho a segurança de que meus editores (Keli, Flávio e Fabi), sempre foram abertos e admiradores do meu trabalho, mas minha saída do jornal foi uma escolha pessoal. Não fui pressionado a mudar ou me enquadrar, apenas não aceitei uma ‘nova proposta’ vinda do jornal. Se pressionado ou motivado por algo ou alguém, não sei (dou ao leitor o direito de pensar sobre isso), mas a proposta não me caiu bem. Julguei-a incoerente ao meu trabalho e minhas posições. Hoje em Xapecó, devido a alguns acontecimentos no mínimo sujeitos a interpretações e questionamentos, motivos de debates que andam rolando por aí, minha saída do Voz se junta aos fatos. Não estou aqui afirmando nada, apenas comentando um pouco do que anda rolando, e pra mim, nada mais ‘normal’ do que isso, já que estamos falando de um país que se diz democrático e de um meio de comunicação que também promove isso. Agora, cada um pensa conforme sua capacidade de assimilação e crítica, ou conforme seu interesse. Eu sei dos meus. Se estou no meio dos debates e críticas nas redes sociais da vida, pois bem, me certifico de que era lido e admirado por alguns. Agradeço aos que foram meus editores e ao espaço precioso que este jornal teve. Espero que venha algo que dignifique a página 2 deste veículo, assim como eu penso que fiz. Sempre primando pela liberdade de expressão e não apenas pelo discurso que se faz dela. Obrigado! & eu continuo no meu furodebala (espero!). Abraço & saúde aos meus! Talvez continue...


sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Acelera Chapecó! [nas investigações também...

"Jornalismo é publicar aquilo que alguém não quer que se publique. Todo o resto é publicidade." (George Orwell)

Ser questionador, atuante, exercer a liberdade de expressão, ser literário e/ou poético, irônico e/ou sarcástico, ter certo humor e se manifestar livremente está perigoso hoje em dia. Fazer denúncias então, nem se fala. O politicamente correto submete a linguagem e a criatividade, tornando tudo regrado e sem possibilidades. O realismo e a crítica daqueles que lutam por uma comunicação ‘de verdade’ (não essa imposição da informação que existe por aí), sofre punição, seja ela moral (com uma censura do que é dito/publicado) ou até física, com a exclusão e até morte do comunicador e, por conseguinte, da sua comunicação. Isso está acontecendo no mundo, no Brasil, em Santa Catarina e em Xapecó. Pessoas estão sendo assassinadas por isso. Depois do professor e vereador xapecoense Marcelino Chiarello, foi a vez do blogueiro catarinense Amilton Alexandre, o Mosquito. A polícia trabalha com a hipótese de suicídio. Mas, sinceramente, lendo o que o blogueiro deixou escrito nas suas últimas postagens, não vejo indícios disso. Assim como Chiarello, Mosquito deixou dito que estava sendo ameaçado e sofria retaliações pelo que publicava no seu blog ‘Tijoladas do Mosquito’. Era temido por políticos e empresários catarinenses por sua luta contra a corrupção e suas severas críticas. Mosquito ficou conhecido pelo caso de denúncia de estupro de uma menina, praticado pelo filho do diretor da RBS – e eu não vi passar na RBS sobre esse caso (porque será? – é essa a informação livre tão discursada nos obesos meios de comunicação deste Brasil varonil?). Eu mesmo já recebi um: ‘Cuidado com o que escreve Herman!’, de alguém que se preocupa comigo – mas porque devo me cuidar? Não vivemos na democracia que tanto se discursa por aí? Mas, quais forças ‘obscuras’ estão por trás disso? Quem são os censores, os assassinos? E o que tem por trás dessas mortes? Interesses? Organizações, instituições, partidos, grupos, oligarquias? O que você acha? Tem uma música de uma banda que se chama Cólera, e que diz: “Querem nos mudar, querem produzir homens bobos, controlados pra sorrir, pra seguir, pra parar (...) Querem cativar, de leve, pra formar homens bobos pra aceitar essa farsa, essa farsa! Homens bobos, controlados pra seguir, pra parar (...) Eles querem nos mudar...”. Enfim... Acelera investigação!


* eis algo pertinente produzido pelos amigos do Estúdio A:

http://www.unochapeco.edu.br/unowebtv/play/cronicas-da-resistencia-01

yá!


segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

"Ler é a arte de desatar nós cegos" (Goethe)


onde
está
meu
...


?















para um dia quente.. cerveja, trufa e boa leitura..



Liza, flores & livros...

atuais boas leituras...






















acompanhado da Teckila & lendo 'Só  garotos' da poeta, compositora-cantora e performer Patty Smith - foda!

...assim tudo se torna mais tolerável e vivo!

Na estação...



















Estamos na estação. Esperamos o trem passar. Pra onde vamos afinal? Alguém nos espera longe daqui? Eu não sei! Você sabe baby? Então me diga... Se souber! O tempo passa e as coisas vão se transformando nesse movimento caótico que é a vida. E não me venha dizer que tudo está pré-determinado! E não me venha falar da descoberta do eu. De um lugar melhor, além disso, tudo. Dos céus ou do paraíso. Não. Aqui é nossa morada. Nosso lugar. Talvez, até sejamos intrusos, forasteiros, uma praga, uma chaga que veio só pra destruir – é o que me parece quando comparo a humanidade aos outros animais da natureza. Mas, é certo que também não duraremos. Aos poucos vamos envelhecendo e sucumbindo, como todas as coisas vivas - & as mortas, pois, ‘tudo o que é sólido se desmancha no ar!’ (já dizia o velho Marx). E o velho Marx era sábio, independente das suas utopias e teorias materialistas. Eu me sinto desmanchando no ar. Você não baby? Sua roupa, sua casa, seu jardim, suas vontades e desejos? Se ainda há tempo, o tempo é agora. Já! Se adiarmos sempre, a cada vez, o tempo se esgotará. A vida não é depois nem amanhã. Que tal vivermos? Vamos viver? Pois, ‘a vida é agora!’ – assim diz uma canção de que gosto. Mas qual é o problema? O seu problema? O meu problema? O nosso problema... Sim, os problemas são nossos. Estamos coligados baby! Nesse conto, nesse filme, nessa novela, nesse romance. Nessa prosa. Um dia, quem sabe estaremos também num poema, numa canção. Quem sabe. Ontem fiz um verso novo. Peguei no sono e ele se apagou. Não, não foi nenhuma mão ordinária. Ele se foi sozinho. Desapareceu. E quando eu acordei para relê-lo, cadê?! Já não estava mais lá, naquele papel amarelado sem linhas. Cheguei a pensar que fora um devaneio ou obra de algum sonho meu. Mas não. Eu escrevi. Tenho a quase certeza de que sim. A quase convicção. Quase. Mas quase não é nada absoluto. Quase é quase. Então eu quase sei do poema. Eu quase sei quem sou e quem você quase é. Pois bem. Acho bom eu ir parando de divagar por aqui. Lá vem nosso trem. Apita distante, mas vem. Vamos embarcar e ver até onde ele vai dar ou vamos parar numa estação que acharmos bonita, interessante? O que você acha? Quero saber de você. Por favor, me responda! Me diga! Sozinho não posso decidir – e nem quero partir. Afinal, estamos juntos, não estamos?



Algumas contra-indicações (se não beber ou ousar, não leia!):

"só para raros!"


Pedro Juan: submundo cubano.. Efraim: poesia colombiana com ares de maldição..


Sant'anna: literatura brasileira da laia.. Kafka e Dosto.. indispensáveis!


Nietzsche e Thoureau.. indispensáveis! ..'Geração beat' (Claudio Weller), para compreender o contexto..





'clássicos' indispensáveis.. dos bons! 





Henry Miller: 'maldito clásscio' norte americano.. Welsh com seu 'Pornô', continuação do 'Trainspotting'..


* Grandes teóricos, pesquisadores e ensaistas e suas obras indispensáveis:







*_*




velho Buk e seus torpes poemas..





Buk & Rimbaud.. magníficos!



Frank Miller.. HQ com teor alcólico.. quem não viu o filme também, indico!


* aqui estão algumas das minhas leituras favoritas.. faltaram muitos, é claro (John Fante, Hakim Bey, Cioran, Alvarez, Mirisola, Terron...) - um tira gosto... já leu algum desses?



1 ano sem a Lua...

...e quantas vezes eu quis ter cauda

A chuva molhou a terra onde as plantas germinam junto ao corpo peludo do meu cão. E foi uma chuva nova, diferente. Uma chuva de adeus. Agora, os dias são mais tristes quando olho pela janela e já não vejo as patas dianteiras do meu cão sobrando pra fora da sua casinha.  Já não ouço seu latido nem seu resmungo grave e sonoro ecoando. O mundo era mais tolerável quando saíamos para passear lado a lado. Eu olhando em volta enquanto ela cheirava o chão. Não teremos mais a festa canina quando chegávamos em casa depois de algum passeio noturno ou viagem de final de semana, nem tampouco a alegria estabanada e sincera que só um cão pode ter. Minha canina, que eu tanto amava, agora faz uma falta que é do tamanho dela - e ela era uma cadela bem grande! Seus quarenta quilos de amizade verdadeira. Seu olhar de admiração e respeito, mais puro e verdadeiro do que o meu. Meu cão significava tanto pra mim! Anos junto dela, e um condicionado ao outro, numa amizade sincera e recíproca, presos neste mundo mecânico que criaram para limitar as manifestações das nossas naturezas mais descaradas. Ficava, e ainda fico triste em saber que o espaço dos cães que se arriscam livres pelas ruas, foi tomado por concreto, asfalto, carros e gente. Sou gente, mas ainda tenho afinidades animais. Uma das imagens mais belas do mundo, como um poema, é ver uma criança lado a lado com seu cão, brincando, em comunicação telepática, olho no olho, alegria na alegria, sinceridade na sinceridade, natureza na natureza. O mundo sem os cães e sem as crianças seria completamente triste. Meu cão foi um sonho realizado. Sonho de infância. Sempre quis ter um cachorro grande, maior do que eu, em tudo. E tive. E ela se foi. Agora, cada vez que olho pro céu e vejo a lua, lembro dela. Lua era minha companheira que agora falta. E eu a enterrei com minhas próprias mãos no pomar atrás de casa. Como Neruda escreveu num de seus mais belos poemas: “Não há nem houve mentira entre nós. Já se foi e o enterrei, e isso foi tudo.”


em memória da Lua + 02/12/2010


terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Justiça!?


Muito provavelmente a maior manifestação da história em caminhada pelo centro de Xapecó . Penso que tanta gente reunida, além do possível ‘revoltante’ motivo deste caso, foi possível ao fato de que Marcelino Chiarello, além de homem público, era professor e se mostrava sempre ao lado de movimentos sociais, dos mais variados. Além da diversidade desses movimentos, estavam os sindicatos de trabalhadores, partidos da esquerda xapecoense e regional, professores, alunos, igrejas (principalmente a da linha da teologia da libertação – tendência progressista-esquerdista muito atuante na América Latina), e pessoas independentes disso tudo. Por ter essa ligação ampla com os vários setores da sociedade, Marcelino (em torno dele), conseguiu reunir uma multidão, que indignada com sua morte e seus possíveis motivos, clamava pela ‘verdade’ numa caminhada silenciosa pelas ruas da cidade, onde prevaleceu o preto como sinal de protesto e luto. Batidas lentas de tambores davam o ritmo dos passos que, lentos, se faziam notar pelo centro de Xapecó. Vi pessoas de várias etnias e origens juntas nessa caminhada. Vi crianças e jovens, velhos e adultos, todos com um objetivo comum: o esclarecimento. ‘Justiça seja feita!’ ‘Não nos calaremos!’ ‘Calaram um professor!’, entre outras, foram frases anunciadas em cartazes e faixas. Ouvi vozes mais radicais, juvenis e femininas que vinham de longe e que diziam: “Que tal arrancar a cabeça do busto do Coronel Bertaso da praça... Será que iriam gostar?”. Mas tudo foi muito pacifico e tranqüilo, como ‘manda’ a democracia, a não ser, por um e outro motorista ‘irritadinho’ que passava buzinando e xingando quem caminhava. Sempre tem os que se acham donos do espaço público com seus carrinhos semi-luxuosos. Intolerantes com as diversidades e manifestações. Esse tipo de gente descontrolada é perigosa, e se deixar, são capazes de partir para a briga. Em alguns lugares (não tão longe daqui – ou bem perto), isso pode até acabar em linchamento ou atropelamento. Manifestantes tem aura de ‘bandidos’: assim rezou um dia a tradição conservadora e ignóbil e alguns acreditaram – até hoje! Só senti a falta do prefeito, ou no mínimo de algum representante do poder público, já que se trata de um caso terrível para a ‘imagem’ do município e, além de tudo, é uma questão política, até formal, além de humana, sendo um crime contra um homem público. Mas talvez eu é que não tenha visto, e alguém do poder público tenha aparecido. Mas o importante é que o povo saiu de casa e foi pra rua, já que a rua também é lugar de gente (não só dos despossuídos e desprezados). E esse fato, além da morte de uma pessoa, se realmente foi um crime político, representa uma ameaça séria ao que se tem por democracia.


domingo, 4 de dezembro de 2011

Distância...

‘Introdução para a invisibilidade social’


                                                   “A cada ciclo da lua vou desaparecer...” (Epopeia)


Hoje acordei indisposto para o trabalho. O amargo na boca, o vento batendo na janela do meu quarto e o toca discos que toca um vinil que em chiados roda no final do disco. Levantei e fui desligar, e lá estava aquele vinil velho com a capa desgastada pela ação do tempo. Algumas boas lembranças me visitaram. Nostalgia de um tempo de solidão, onde meus únicos grandes companheiros, além dos discos de vinil, eram os livros. Mas como anotou Nietzsche no seu Ecce Homo: “Minha humanidade é uma constante superação de si. – Mas tenho necessidade de solidão, isto é, de convalescência, de regresso a mim, do sopro de uma brisa leve que passa livremente...”. Já a alguns dias ando praticando. Sei que não é fácil sucumbir fisicamente, mas estou tentando. Já tive alguns progressos. Lembrando que, desaparecer não é morrer. Creio que talvez seja até impossível explicar. Para alguns que já assistiram a película ‘Casa Vazia’ do diretor coreano Kim Ki-duk, percebendo certa metáfora que o filme traz, talvez compreendam um pouco dessa minha prática (e seus motivos) – levando em conta as entrelinhas da linguagem. Estou e não estou. Sou e não sou. Ando longe. Distante. Acordo na distância & é o vento quem me desperta. Em lentos movimentos vou desaparecendo. Alguém ainda me vê (...). Um lobo na estepe dessa cidade tão cheia? Ou um falcão que se arrisca em vôos rasantes? Minha imagem colada num canto da sala, envelhecida, carcomida pelo tempo. Sou a capa desgastada do meu vinil que em chiados roda no final do disco. Estou distante de mim. Distante de você – & ao mesmo tempo tão perto! (como estou só e ao mesmo tempo acompanhado). Há um vazio nesta cidade tão cheia. Se as escadas que nos elevam à eternidade sempre estão a nossa espera, porque não subir por elas? Se ando na contramão, é porque os caminhos traçados já não me atraem mais – eles são tão óbvios e limitados! As palavras que eu tenho para ‘lhes’ dizer me escapam pelos olhos e ninguém vê – só vocês, meus maiores motivos! Meus olhos noturnos de tristezas e alegrias torpes! E eu desapareço por alguns instantes (lembrem-se, estou praticando!). Logo volto! Me esperem com aquele café bem forte, seus abraços de vida & com o poema que eu leio em seus olhares...

*


Outra canção...
























Meu amor, não tenha medo! Estarei te esperando na próxima curva, com meu violão e minha voz desafinada. Com a garrafa de rum para nos proteger do próximo frio que virá, alguns charutos e um livro de poesias de Neruda ou Rimbaud. Cantaremos juntos e torpes, com os nossos sorrisos plenos, esse tempo que tanto nos distanciou, que tanto nos deixou tristes e sós. Cantaremos canções de vida, canções para a eternidade. Cantaremos à nossa própria eternidade. Querida, não tenha medo, estarei contigo em todos os abismos que você, por acaso, venha a cair. Encontraremos dentro deles, na profundidade, essa nossa canção. Já estamos a compondo, ainda não percebeu? Existe um pequeno livro azul, nada excitante se formos considerarmos sua capa, seu papel, sua edição, mas que dentro dele, encontramos verdades tão duras e profundas que o medo passa a ser compreendido e assim, amenizado ou até mesmo findado. E nele está escrito: “Surgem dias nos quais o coração sente tão terrivelmente a falta de saída, que o surpreende, como uma pancada na cabeça, a idéia de que já não poderá ir adiante”. Artaud ao escrever isso no seu ‘Van Gogh, o suicidado pela sociedade’, fez poesia, mesmo tratando de um tema ‘terrível’, que também gera medo. Assim meu amor, podemos fazer poesia juntos também “Pois o critério do bisturi separador não depende da amplitude nem do atrito, mas do mero vigor pessoal do punho”. - escreveu Artaud no mesmo livro. Portanto, façamos de nossa cantiga, de nossa poesia, de nossa história, a própria eternidade que já demonstramos num entrelaçar de dedos. Enchemos nossas mãos de sorriso e vida. Um encontro protegido com nossos sentimentos mais puros e profundos, mais sonoramente intensos. Já concordamos com Rimbaud e a nossa eternidade também é ‘o mar ao sol’. Já nos protegemos do açoite tirânico das convenções sócio-morais. Já fomos além, agora estamos aqui, com o mesmo sorriso estampado nos rostos, com o mesmo vigor e aspiração de ser e estar. Os mesmos. Aqueles que principiaram e nunca vão acabar. Meu bem, esta noite, ao dormir, não esqueça de descansar seus medos... & deixe a janela encostada e a luz apagada que eu passo pra te visitar entre um sonho e outro, entre uma realidade e outra... Amanhã faremos outra canção sem medo nem culpa - com ‘aroma’... Até logo! 

hgs.

(as imagens dos dois textos acima são do filme 'O sacrifício' de Andrei Tarkovski - indico!)


Cartas na mesa... ao jogo!

Chegamos... mas vamos para onde mesmo?

Começamos bem o mês do Natal (com o assassinato de um vereador por motivos políticos). O mês onde os cristãos comemoram o nascimento de seu ícone: Jesus, aquele que pregava a paz, o amor, a vida. Mas, parece termos voltado à Idade Média, onde qualquer coisa que a Igreja julgasse contra seus ‘princípios’ era condenado, num processo conhecido como ‘caça as bruxas’. Xapecó, para quem não conhece bem, ou para aqueles que não acordam da ilusão capitalista de progresso e futuro brilhante que aqui é propagandeado, é um paraíso. Mas, nos bastidores, o bicho às vezes pega. Como na ditadura militar que, enquanto o país crescia (e se endividava, diga-se de passagem), com suas suntuosas construções e crimes cotidianos minimizados, futebol e carnaval bombando na televisão, o pau comia nos ‘porões da ditadura’. São os bastidores de um espetáculo armado para o entretenimento e a alienação. Quem tem capacidade e/ou ousadia para ler nas entrelinhas desse espetáculo, pode ver claramente que além das ‘maravilhas’ que são expostas para um ‘bem estar social’, existe um ‘show de horrores’. E no mínimo, no mínimo, dentro de todo esse contexto (salvando as crianças e velhinhos), somos, TODOS NÓS, cúmplices, de uma forma ou de outra. Ou devido à falta de interesse na busca pelo conhecimento ou por acomodação e covardia - ou seja, pelo consentimento, pois como diria o cantor: “quem cala consente!”. Muitos foram convencidos e acreditam piamente que a liberdade existe, ‘esta liberdade’, este conceito de liberdade onde estamos condicionados, presos, onde fomos escravizados. Me refiro à liberdade econômica, que é a que o mundo capitalista ocidental judaico-cristão conhece e pratica. Então, nos achamos livres (mas isso só quando temos dinheiro no bolso, não é?). Livres para ir e vir, postar qualquer coisa nos nossos blogs e nas redes sociais – e tudo vira festa! Agora, quando o bicho pega, nos irritamos e nossas vaidades e nosso individualismo pequeno (ou grande) burguês vêm à tona. Outro dia vi no facebook uma imagem de um policial que crivou de bala dois jovens assaltantes que foram mal sucedidos na sua investida contra ele. Acontece! Mas na postagem, alguém escreveu que “bandido tem que ser tratado assim, à bala!”, e “Graças a Deus!”. Então, bens materiais são mais importantes do que a própria vida para o cristão? E o ‘Não matarás’, mandamento bíblico dos cristãos? E saber que parte significativa daqueles que se dizem cristãos pensam assim. Maquiagem? Hipocrisia? Falácia? Não sei, não sei. No mínimo, cumplicidade...



O jogo

Mais um trago pro mundo girar ao contrário, porque do jeito que está não dá. A coisa ta triste. Pesada. Uma nuvem de censura no ar. Queima de arquivo na vizinhança. Alguém que sabia demais apagado por forças ‘ocultas’. Crime político, provavelmente. O ‘politicamente correto’ na fala, na escrita. Censura e poda novamente. Quem se manifesta em risco. Quem ama, sente, troca, se sensibiliza, em risco. Ameaças de todos os lados, por todos os cantos. Sociedade doente, cercada de convicções bestas e ordinárias. Crianças ingênuas no meio disso tudo. Recém começaram a sofrer a poda das suas possibilidades. Serão reprodutoras desse jogo se tudo continuar assim. Um jogo imundo, onde os vencedores já estão garantidos – se cumprirem com as regras, é claro! Mas as regras não são tão claras. Elas confundem, enganam, ludibriam, distorcem, equivocam, usurpam, humilham, culpabilizam e até matam se for preciso. Eis o jogo! E você acha que não está nele. Desculpe informá-lo, mas todos estamos! De um modo ou de outro, todos jogam. Mas isso não significa também, que devemos seguir as regras como elas são dadas. Percebam quem está com as cartas. Além dos reis e rainhas e de toda a corte, do bispo e outros, existem os coringas. E esses são mais amplos em possibilidades de jogo, porém, os mais cobiçados e, por outro lado, indesejáveis quando estão nas mãos dos oponentes. Lendo o magnífico livro de Antonin Artaud, ‘Van Gogh, o suicidado pela sociedade’, pela terceira ou quarta vez, chego nessa citação: “E assim foi que Van Gogh morreu suicidado, porque o consenso da sociedade já não pôde suportá-lo”. E o jogo é um consenso, onde no mínimo, todos somos cúmplices, já que jogamos. Porque se somássemos forças e burocratizássemos menos nosso modo de ver e aceitar o mundo, nosso dia a dia, se quiséssemos no fundo descobrir, aprimorar esse mundo, essa sociedade, faríamos. Como? De algum jeito. Às vezes, as coisas só são complicadas porque nós mesmos complicamos, fazendo desse jogo, um jogo de azar, literalmente. Não me pergunte como, descubra e faça você mesmo, é o único jeito. Se eu disser como, para aqueles que me seguirem ou acreditarem em mim, eu estarei dando as cartas. E não é isso! Mesmo porque não sou tão confiável assim (lembrem-se, sou cronista - posso ser poeta, mas não um líder). Enfim... O jogo continua! Mas de que lado da mesa você está jogando?