sexta-feira, 11 de abril de 2014

Leituras do Cotidiano, 11/04

Orlando Sabino, vida e morte: 'o monstro do triângulo' da ditadura














Ele era um andarilho, pessoa da vida, do mundo, e tinha nome: Orlando Silva! – dentre tantos ‘Silvas’ que rodam por aí. Os tempos eram duros, sob tudo para ele. O regime militar atuava de forma real e teatral, violentando, perseguindo, caçando direitos e criando. Criava 'estórias' para legitimar e justificar seus atos. Uma dessas 'estórias' foi a do 'monstro do triângulo' que confessou seus 'crimes' a troco de rapadura, sabendo os agentes da ditadura essa sua paixão por doces. Mortes de pessoas e animais foram atribuídas a Orlando que, preso em um manicômio, viveu 37 anos por lá. Acusação e confinamento injustos. Quando que, quem matava era a ditadura, através de seus agentes. Criaram acima disso uma lenda, um mito, convencendo parte da população regional da suposta 'verdade', de que existia esse 'monstro', alimentando assim, a cultura do medo que silencia. Eis a justiça e a dignidade do regime militar! Eis o monstro! Seus crimes 'monstruosos': ser um andarilho, um clandestino, um nômade, um 'homem de fronteira', pobre de bens, rico em andares. Foi tido como 'doente mental'. Sua doença: não ser ambicioso ao modo acumulativo de viver. Seu 'erro': não participar do jogo, do espetáculo cotidiano - mesmo assim, por este jogo utilizado. Orlando não era comunista, nem tampouco monstro ou assassino. Orlando era apenas gente! Gente que serviu de bode expiratório ao regime militar, no cumprimento das ações ludibriantes e violentadoras dessa ditadura.  Ano passado morreu Orlando Sabino. Ninguém ficou sabendo. Orlando não era conhecido, mas o ‘monstro’ inventado pela ditadura era.  Mas antes de morrer pôde realizar seus sonhos, suas ambições, já que, sendo gente, também os tinha, mas longe dos interesses ideológicos de grupos de poder, regimes e afins. Longe da ganância cultural dessa civilização que não se considera 'doente'. Antes de morrer, Orlando Sabino realizou seus sonhos... Foi chupar laranja no pé. Depois, foi dormir sozinho e em silêncio, deitado na grama... 


*   Em memória.


A universidade federal e o poder público local...

Durante a semana, pelos meios de comunicação, a notícia de inclusão, pelo MEC, de 40 vagas para um curso de graduação em Medicina na UFFS Campus Chapecó, como parte do plano de expansão das vagas para cursos de Medicina em todo o país promovido pelo governo federal. Frente a isso, não vi o senhor prefeito, como ‘autoridade máxima’ da cidade se pronunciando a respeito. Aliás, parece que, desde o começo, o poder público local fez (e ainda faz) corpo mole frente a uma realidade nova, ou seja, um campus de universidade pública federal na cidade. Dada à importância desse empreendimento, as autoridades locais parecem não dar o devido valor a isso. Penso que, em se tratando de uma universidade pública, a prefeitura, antes mesmo da obra do prédio estar funcionando, deveria ter garantido o bom acesso ao local, o que não fez. Essa ‘omissão’ mostra certo descaso do poder público local com os avanços na área educacional e social do país, no mínimo...


* também publicado no jornal Gazeta de Chapecó



Um comentário:

Neninha Tancredo disse...

É bom que fique bem registrado o comportamento desses tipos aí do serviço público. Porque o tempo passará, e o processo/educação que se construirá a partir do interesse dos estudantes/comunidade é um movimento que nunca mais vai retroceder, a Fronteira Sul está se espraiando, se espraiando, e esses mofados aí são capazes de querer aparecer na foto um dia.